sexta-feira, 19 de abril de 2013

Lotado


Começou o frio.
Inversão térmica. Poluição. Tudo arde. Narinas, garganta, olhos.
É a cidade. Hora do “rush”. Faróis acesos. Buzinas. Vitrines. Semáforos.
Tudo arde.
Eu acendo um cigarro. Trago. Espero. As veias entopem. Artérias. Trombose.
E daí?!
A cidade está entupida. Carros, motos, vans. Um ônibus. Um ônibus?!
Um único ônibus.
Eu espero. Trombose. A senhora não. Está com pressa. Buzina. Freios ardendo. Trombada. A senhora recua. Espera nova passagem. Provocou o acidente. Mas ela tem pressa. Seu ônibus está à frente. Corre. O ponto está longe.
Passa, com sinal aberto para todo mundo. Menos para ela.
Corre. O ônibus, para. Cansado. Como se esperasse.
Ela chega na porta do ônibus. Vai subir?
Não, alguém entrou antes. Esse alguém recua nas escadas. O único ônibus nessa confusão está lotado.
Mas e daí?
Tá tudo lotado. Eu que tenho pernas. Estou próximo. Estou lotado. De tristeza. Angústia. Cigarro. Poluição. No ar. Nos olhos. Na alma.
E daí?!
Os prédios, lojas, postos de gasolina, lanchonetes, mentes... Barulho!!!
Tá lotado.

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