sexta-feira, 24 de julho de 2020
A Hora do Anjo é Agora
Quando criança achava muito bonita a oração que se passava na tv no fim de tarde. Hoje em dia não pratico nenhuma religião, não participo de nenhuma congregação, mas sou profundamente espiritualizado.
Por isso quero compartilhar algo com você, leitor.
A oração que falei acima se chama “a hora do angelus” - o anjo de luz. No fim da tarde ela soava como um bálsamo para as pessoas daquela época, meados dos anos 80 que teriam que enfrentar a noite.
Depois dos meus trinta e poucos anos, percebi que a hora do angeluz pra mim era as 9:00 da manhã, quando pássaros cantam, a luz é tenra e suave, o clima aqui pelo cerrado é sempre agradável essa hora.
Mas hoje percebi algo diferente. Estamos cercados numa pandemia que não é tão agressiva. Mata 2% dos infectados. Mas amedronta. Quem quer jogar na roleta? Eu não.
Fora isso, estamos sob um governo que gosta de jogar na roleta. E aposta mais alto ainda. Cada um sabe o que faz. Quem sou eu pra julgar?
Como muitos adultos com responsabilidade, estou claramente sob estresse. Já tenho problemas de saúde, nada grave, que merecem zelo.
Mesmo assim me considero um sujeito de sorte.
Porque consigo enxergar que às vezes não precisamos de muito mais que um canto pra dormir, algo pra comer, respirar e agradecer. Quando isso acontece, é a sua hora do angelus.
Marque ela. Lembre-se dela. A paz interior sempre foi e sempre vai ser o dom mais valioso do ser humano. Capaz de alimentar corpo e espírito.
sábado, 4 de julho de 2020
Gigante Infinito
Hoje me sinto o gigante infinito
Num país de amantes e assassinos
Sinto o poder pulsante da natureza
Capaz de criar e destruir
Com suave leveza
Hoje me sinto gigante infinito
Nada está certo nem errado
É o Universo seguindo seu curso imprevisto
Hoje, assim me sinto
Gigante e infinito
quinta-feira, 23 de abril de 2020
Reflexão
Olhei fundo
E dentro de mim
Achei um tanto de entulho
Coisas de que nem preciso mais
Mas guardei
Com medo de deixá-las aqui
E alguém achar
E dói deixar
A segurança do passado
Cristalizada no presente
É aconchego diante da frieza do futuro
Como largar minha cadeira de madeira
Com almofada de algodão
Por uma de plástico?
Espera, não era isso
Não é o conforto que abandono
São hábitos!
Sim!
Deixa esse espaço vazio
Outro entra e ocupa
Novo
Olhei fundo
E combinei comigo
Valeu a reflexão
quarta-feira, 22 de abril de 2020
Pro Belo, ou Bela Não Há Prisão
O belo, ou bela não tem elo
Se une ao que quiser
Se difunde pela necessidade de quem vê
A beleza não se confunde
Ele, ou ela é
E por ser assim, se nega à prisão
Não tente prender o belo, a bela
Ele, ou ela vai sorrir e chacotear com seu grilhão
Espera o momento certo
Olhe bem
Sinta
E talvez consiga traduzir em som, palavra ou imagem
O que resta do vislumbre que compartilhou
O belo, ou bela não tem elo
Ele, ou ela
Voou
E deixou seu sorriso
Aprende isso
Pro belo, ou bela não há prisão
terça-feira, 21 de abril de 2020
Hoje Senti Raiva
Hoje senti raiva
Senti raiva pelo ser humano que não fala
Que se cala diante da injustiça
Hoje senti raiva
Porquê quem parece bom não é!
Não se veste como quer
Mas pra enganar o próximo
Se disfarça
Pedi uma razão pra calma
Pra paz-ciência
E entendi logo
Os errados não são culpados
São restos de um passado morto
Desesperados por atenção
O futuro?
Grita, clama pela atenção deles
Atenção!
Se não me ouve (o futuro)
Vai ficar no passado
Como seus pensamentos
Que hoje
São em vão
Vá atrasado
Se une ao presente
Ou simplesmente desista
E seja vão
Hoje senti raiva...
domingo, 12 de abril de 2020
A Imortalidade
Hoje
Hoje eu entendo o significado da morte
Não é por acaso que deixamos este mundo
Eles nos tira mais do que dá
E não adianta resistir
Se entregar a toda sequência de prazeres
Este mundo vai te impedir
De ficar
Sábia lição divina em nos colocar aqui
Desejamos a imortalidade
Aqui
Mesmo o filho D’Ele morre
Pra salvar os “imortais”
Nos ensinando a simplicidade
A verdade
De que nenhum momento
Nenhuma vida
Nenhum amor permanece
Essa é a lógica
O que não dura
É por si mesmo
Imortal
sábado, 4 de abril de 2020
Solidão em Casa
(Uma retrato durante o isolamento do Coronavírus)
Eis que a solidão bate
Me levanto calmamente
Abro a porta
Deixo ela entrar
E ela me pergunta
Com seu olhar compassivo
Tudo bem?
Claro que não
Eu a intimido
E ela responde
Ok, pode chorar
Eu não sei se quero
Quero?
Meus pais em casa
Meus filhos com insônia
Minha esposa firme
De pé...
Eu posso chorar?
Não sei se devo
Abraçar a solidão pelo consolo
Ou mandar ela embora
Então sentado
Sem lágrimas nos olhos
Miro o céu estrelado
E me permito chorar
A solidão vai embora
Leva meu amor de volta
Pra que cada um possa
Se curar
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