quarta-feira, 5 de junho de 2019
O Monstro em Mim
Hoje eu vi
O monstro em mim
Hoje eu vi
Desses que assustam crianças
Não tenho medo dele
Eu o entendo
Ele cresceu
Entre pessoas individualistas e competitivas
Na falta de gentileza
Cresceu
Hoje eu vi
Que ele pode me deixar
Que eu viva sem ele
Sim
Hoje eu vi
O monstro em mim
sexta-feira, 17 de maio de 2019
Bem Vindo!
E a sensação do sol brotando no horizonte?
Do orvalho evaporando?
Das borboletas passeando?
Parece o prenuncio de uma era mágica
Esperando muito pra ser anunciada
Não!
Não adianta espernear!
Não adianta ser contra.
O amor esperou muito pra ficar
Fez casa sólida
E convidou todos pra entrar
Seja bem vindo!
Basta querer e acompanhar
Ter um coração limpo de mágoas e preconceitos
E participar
Venha nova era!
Venha nos ensinar a novamente
Dançar!
terça-feira, 14 de maio de 2019
Deus?!
Quando foi que abandonei a mim?
Quando foi que abandonei...
Aquele olhar sobre as teclas do piano
Sobre as copas das árvores
Aquele assombro com o canto dos pássaros?
Eu nem lembro
Quando ter vale mais que sentir
Sim, não ser
Mas, sentir
O doce perfume da chuva que passou
Do cheiro da terra e das plantas
Inundando minha memória
Porquê?
Se foi essa vontade de sentir
E abriu esse vazio de possuir
Que nunca finda
Por mais que se tenha
O objeto mais desejado
Ainda, resta um desconsolo imenso...
Traz de volta, Deus!
Minha alma
Meu sentimento
segunda-feira, 13 de maio de 2019
Carta pra Dona Belinha
Oi Vó
Sei que você se foi
Foi?
Eu ainda sinto seu cheiro.
Ouço sua risada e seu conselho
Ouço o barulho das águas nas suas flores
Ouço o olhar sincero de quem ouve
E as palmas alegres pra vitória da família
Fico aqui pensando
Se o corpo realmente foi
Ou se preside cada membro dos que estão de pé
Atentos
E orando
Para que cumpram a poesia
De viver com fé
Fé que você nos deixou
E que insiste em ficar
quinta-feira, 28 de março de 2019
Casa de Vó
Lembro daquele cheiro que acaricia as narinas
Dispostas a umidificar a memória
Lembro de tocar o concreto adornado de musgos feito moldura
E gotas de chuva salpicarem minhas mãos
Lembro do concordar das folhas com as prosas na varanda
Lembro dos raios de sol buscando espaço entre suas flores e suas fiéis abelhas
Lembro do barulho de água jogada pelo balde ungido com restos de refeições
Dos disparos de fogos e foguetes calando mordidas em milhos verdes
Lembro dos sorrisos alegres
Fartos de companhia
Lembro das doçuras das orações que provavam sabedoria
Lembro da cidade velha nos rostos dos leiteiros ao meio dia
Das gincanas e jogos alegres que despertavam a vizinhança
Dos abraços suados pra comemorar essa alegria
Da saudade que eu sinto de toda essa poesia
Me emociona que o tempo só vive agora na minha memória que não se explica
Mas queria rogar
Volte infância querida
E ela me responde
“Seja grato, ainda vai sentir falta do dia que me escreve
Agora outros provam a minha cortesia”
quarta-feira, 13 de março de 2019
Reconectando
Eu tinha um hábito na infância. Olhar por um tempo não marcado, mas imagino, longo pro espelho. Pro fundo dos meus olhos. Não sei porque fazia isso. Mas sei que me fazia bem. De alguma forma, a memória que tenho é que via algo muito bom. Ontem de alguma forma me sentia distante desse garoto. Confiante no país que vivia. Meus pais eram pobres. Eu tinha duas irmãs. Talvez seis anos. Queria aprender música. Muito. Mas não havia a possibilidade, nem financeira nem de alguma escola acessível. Nem de professor. Improvisava. Pegava um guarda-chuva e fingia ser um baixo. Meus amigos curtiam e queriam formar essa banda imaginária. Caminhar comigo nesse sonho coletivo.
Ontem me senti distante. Hoje sou músico. Toco mal o baixo. Mas me viro. Sou um pianista razoável. Componho. Escrevo letras de músicas que me encantam. Costumo falar: mesmo que estivesse na plateia, estaria muito feliz em ver o show que faço com meus amigos e companheiros. Mesmo assim, uma esperança se perdeu... Em algum lugar a luta pra sobrevivência sobrepôs a compaixão. Em algum lugar a luta por sobrevivência vem sobrepondo irmandade, caridade e um ombro amigo. Um ouvindo atento. Uma alegria espontânea.
Sinto que sou reflexo de um tempo e uma civilização que não socializa. Mas se desafia.
Tomara que isso seja produtivo. Tomara que isso gere algo melhor do que somos hoje. Porque a sombra que se aproxima parece querer nos afundar todos num ódio ansioso, que não sabe nem qual o próximo passo da civilização.
quinta-feira, 18 de outubro de 2018
Esperança dos Alforriados
Bainha
Sustentando lâmina e cabo
Avisa
Que o tempo fechou mais cedo
Ainda que a rainha
Conduza o norte dos vassalos
Restará ainda
Quem resiste ao seu descaso
Se seus doutores apitam
Que a ordem será dada
Levanto lâmina acima
Contrariando o ditado
Sem minutos
Conto segundos
Para que todos avancem ao largo
Olho firme
Cabelo preso
E grito
“Sou libertado”
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