sexta-feira, 17 de maio de 2019

Bem Vindo!



E a sensação do sol brotando no horizonte?
Do orvalho evaporando?
Das borboletas passeando?

Parece o prenuncio de uma era mágica
Esperando muito pra ser anunciada

Não!
Não adianta espernear!
Não adianta ser contra.
O amor esperou muito pra ficar
Fez casa sólida
E convidou todos pra entrar

Seja bem vindo!
Basta querer e acompanhar
Ter um coração limpo de mágoas e preconceitos
E participar

Venha nova era!
Venha nos ensinar a novamente
Dançar!

terça-feira, 14 de maio de 2019

Deus?!


Quando foi que abandonei a mim?
Quando foi que abandonei...
Aquele olhar sobre as teclas do piano
Sobre as copas das árvores 
Aquele assombro com o canto dos pássaros?

Eu nem lembro
Quando ter vale mais que sentir
Sim, não ser
Mas, sentir
O doce perfume da chuva que passou
Do cheiro da terra e das plantas 
Inundando minha memória 

Porquê?
Se foi essa vontade de sentir
E abriu esse vazio de possuir
Que nunca finda

Por mais que se tenha
O objeto mais desejado
Ainda, resta um desconsolo imenso...

Traz de volta, Deus!
Minha alma
Meu sentimento

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Carta pra Dona Belinha




Oi Vó
Sei que você se foi
Foi?
Eu ainda sinto seu cheiro.
Ouço sua risada e seu conselho 
Ouço o barulho das águas nas suas flores
Ouço o olhar sincero de quem ouve
E as palmas alegres pra vitória da família 
Fico aqui pensando
Se o corpo realmente foi
Ou se preside cada membro dos que estão de pé
Atentos 
E orando
Para que cumpram a poesia
De viver com fé
Fé que você nos deixou
E que insiste em ficar

quinta-feira, 28 de março de 2019

Casa de Vó



Lembro daquele cheiro que acaricia as narinas
Dispostas a umidificar a memória 
Lembro de tocar o concreto adornado de musgos feito moldura
E gotas de chuva salpicarem minhas mãos 
Lembro do concordar das folhas com as prosas na varanda
Lembro dos raios de sol buscando espaço entre suas flores e suas fiéis abelhas
Lembro do barulho de água jogada pelo balde ungido com restos de refeições 
Dos disparos de fogos e foguetes calando mordidas em milhos verdes
Lembro dos sorrisos alegres
Fartos de companhia
Lembro das doçuras das orações que provavam sabedoria
Lembro da cidade velha nos rostos dos leiteiros ao meio dia
Das gincanas e jogos alegres que despertavam a vizinhança 
Dos abraços suados pra comemorar essa alegria
Da saudade que eu sinto de toda essa poesia
Me emociona que o tempo só vive agora na minha memória que não se explica
Mas queria rogar
Volte infância querida
E ela me responde
“Seja grato, ainda vai sentir falta do dia que me escreve

Agora outros provam a minha cortesia”

quarta-feira, 13 de março de 2019

Reconectando



Eu tinha um hábito na infância. Olhar por um tempo não marcado, mas imagino, longo pro espelho. Pro fundo dos meus olhos. Não sei porque fazia isso. Mas sei que me fazia bem. De alguma forma, a memória que tenho é que via algo muito bom. Ontem de alguma forma me sentia distante desse garoto. Confiante no país que vivia. Meus pais eram pobres. Eu tinha duas irmãs. Talvez seis anos. Queria aprender música. Muito. Mas não havia a possibilidade, nem financeira nem de alguma escola acessível. Nem de professor. Improvisava. Pegava um guarda-chuva e fingia ser um baixo. Meus amigos curtiam e queriam formar essa banda imaginária. Caminhar comigo nesse sonho coletivo. 

Ontem me senti distante. Hoje sou músico. Toco mal o baixo. Mas me viro. Sou um pianista razoável. Componho. Escrevo letras de músicas que me encantam. Costumo falar: mesmo que estivesse na plateia, estaria muito feliz em ver o show que faço com meus amigos e companheiros. Mesmo assim, uma esperança se perdeu... Em algum lugar a luta pra sobrevivência sobrepôs a compaixão. Em algum lugar a luta por sobrevivência vem sobrepondo irmandade, caridade e um ombro amigo. Um ouvindo atento. Uma alegria espontânea.

Sinto que sou reflexo de um tempo e uma civilização que não socializa. Mas se desafia.


Tomara que isso seja produtivo. Tomara que isso gere algo melhor do que somos hoje. Porque a sombra que se aproxima parece querer nos afundar todos num ódio ansioso, que não sabe nem qual o próximo passo da civilização.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Esperança dos Alforriados

Bainha
Sustentando lâmina e cabo
Avisa
Que o tempo fechou mais cedo

Ainda que a rainha
Conduza o norte dos vassalos
Restará ainda
Quem resiste ao seu descaso

Se seus doutores apitam
Que a ordem será dada
Levanto lâmina acima
Contrariando o ditado

Sem minutos
Conto segundos
Para que todos avancem ao largo

Olho firme
Cabelo preso
E grito

“Sou libertado”

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Fábula Moderna





O marido chega em casa mais cedo e a esposa assustada 
pergunta:

“Uai você não tinha reunião?”

“Meu chefe desmarcou” responde ele aliviado.

A esposa feliz como se tivesse saído da tempestade agarra o marido e dá uns amassos nele...

“O telefone tá tocando” avisa o marido.

“Não atende, vem cá! Quem vai ligar a essa hora?”

O marido escorregando das mãos da mulher atende o telefone - “Alô! Hã? Alan?!... Ela tá. Peraí.”

A mulher atende encabulada: “Oi!?... Oi Alan... Tudo bem? Não imagina... De jeito nenhum... Sim. Me liga amanhã. Ok, tchau!”

O marido pergunta inocente: “Quem é Alan?”

“Ai amor, um rapaz que quer me entrevistar sobre meu trabalho. Fomos a um café anteontem...” O telefone interrompe:

“Alô!” Atende a mulher. “Não. Ligou errado querida!”

O marido pergunta: “Quem era?” 
“Uma mulher... Demorou a responder... Queria falar com outra pessoa. Engano.”

O celular do marido toca: “Oi... Hã... Ah, ok, amanhã... Te chamo amanhã chefe!”

“Ai, deixa eu falar com ele pra agradecer!”

O marido tenta evitar, mas a mulher toma o celular dele:

“Quem é?!”... Silêncio... E a mulher olha na tela e vê que é um número desconhecido...

“Fala com ela! É a que ligou aqui agora! Cachorro!” Batendo espanta o marido pra fora, xingando a oitava geração da mãe dele...

O telefone toca. 

“Alô!” Atende cuspindo fogo.

“Ah, oi Alan...” se recompondo.

“Quer tomar uma café agora? ... Não toma café a noite? ... Então qualquer coisa! ... É! No motel de preferência! Hã?! ... É Gay? Tá bom querido! Vai pra puta que pariu!”

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Moral: mais vale um pássaro na mão que dois voando.