sexta-feira, 19 de abril de 2013

Lotado


Começou o frio.
Inversão térmica. Poluição. Tudo arde. Narinas, garganta, olhos.
É a cidade. Hora do “rush”. Faróis acesos. Buzinas. Vitrines. Semáforos.
Tudo arde.
Eu acendo um cigarro. Trago. Espero. As veias entopem. Artérias. Trombose.
E daí?!
A cidade está entupida. Carros, motos, vans. Um ônibus. Um ônibus?!
Um único ônibus.
Eu espero. Trombose. A senhora não. Está com pressa. Buzina. Freios ardendo. Trombada. A senhora recua. Espera nova passagem. Provocou o acidente. Mas ela tem pressa. Seu ônibus está à frente. Corre. O ponto está longe.
Passa, com sinal aberto para todo mundo. Menos para ela.
Corre. O ônibus, para. Cansado. Como se esperasse.
Ela chega na porta do ônibus. Vai subir?
Não, alguém entrou antes. Esse alguém recua nas escadas. O único ônibus nessa confusão está lotado.
Mas e daí?
Tá tudo lotado. Eu que tenho pernas. Estou próximo. Estou lotado. De tristeza. Angústia. Cigarro. Poluição. No ar. Nos olhos. Na alma.
E daí?!
Os prédios, lojas, postos de gasolina, lanchonetes, mentes... Barulho!!!
Tá lotado.

domingo, 18 de novembro de 2012

Orgulho versus Vaidade

O maior inimigo do homem, ou um dos maiores é a Vaidade.
A vaidade não é só um pecado moral, que pode violar relações sociais.
A vaidade é um pecado contra a própria natureza boa e pura humana.

Vamos comparar a vaidade com um potro selvagem.
O potro não quer ser domado, isso é certo. Mas entre os seus ele tem limites de comportamento que preveem a existência de outros potros e outros cavalos e éguas.

Esse limite de existência é o respeito entre os seres existentes, considerados vivos ou não (Nem tudo que não se mexe, como uma pedra está morto... Esse conceito é para mim ultrapassado).

Pois bem, a vaidade aqui é considerada não como o cuidado consigo mesmo, o que é bom! Estar asseado, bem vestido, bem apresentável, da forma como se entende ser bem apresentável (Ora, culturalmente esses conceitos mudam).

A vaidade aqui é tomada como uma distorção do orgulho.
Orgulho é em demasia, ou de forma distorcida a vaidade.

Se por um lado, ter orgulho da própria existência a protege e estabelece harmonia na relação com outros seres, por outro a distorção do orgulho, que na verdade é uma carência ou insegurança amplificada gera a vaidade.

Dentro da emoção vaidosa nos achamos senhores da razão. Negamos o próximo. E negamos a própria existência.

Como? Ora, o ser humano é um ser social, independente dos seres com quem se relaciona. Mesmo o Eremita tem que lidar com os ciclos naturais e os seres que porventura irá encontrar em seu caminho.

Ao negar a existência dos limites naturais o homem nega ser parte do conjunto, se isola em uma caixa emocional fechada e nega sua própria existência.
Pois não será ao deixar de se relacionar com o meio externo.
É como um suicídio psicológico que pode porventura se concretizar.

Dentro desse contexto não fará diferença existir ou não, pois para o Vaidoso, o meio externo é tão simples ou desnecessário que não o merece.

Elimine a vaidade. E será mais do que um. Será tudo e todos.
Paz.

sábado, 25 de agosto de 2012

Pacto Moribundo

Todo mundo calado
Sentado
Lado a lado

Sociedade do medo

Ah se soubessem...
Podem voar
Ascender ao outro plano astral

Salto quântico vital
Mas, medo sentem

Se soubessem que o sol inunda os olhos...
Mas a visão temem

Seguem embassados
Jiboiando
Enrolados

Pelo medo que sentem

Da dor, da felicidade
Da vida que não têm

Por medo
Não
Não têm

domingo, 22 de julho de 2012

Ponta de Lança

Não sou o instrumento
Sou parte dele

Das mãos humanas sou o extremo
Pronto para atingir o inimigo

Seja ele a fome
A humilhação
Ou a falta de respeito

Do cabo recebo a força
Reta, ereta, mas que se curva
Se necessário

Sem nunca se romper

Sou tão antiga como a religião
A guerra
A disputa esportiva

Represento mais que a história

Por ser feminina
Sou a primeira a ficar exposta

Sou a única que na luz
Como ninguém
Brilha

Àquele que me usa
Um recado
Mereça minha força
Receba minha vida

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Uma Imensa e Vazia Nação

Brasil
Que nome profundo
Verde Amarelo e Azul, Aníl!

Nome de árvore sufocante
Estado de repúblicas sob federação

No mapa soa estranho
Brazil
Imensa nação

À mim soa vazio de civismo
Distante de cultura educação
Civilização?
O que é isso?...

Vizinhos se chamam de irmãos?
Aqui chamam... Mas, só chamam
Nada de convite, comunhão

Somos um povo carente
Um tanto imprudente
Como esse poema

Atingido pela ignorância
Pela solidão

Gostaria de falar dos pássaros
Das palmeiras

Mas tá tudo cada vez mais cinza
Mais sépia
Mais esburacado

Hoje prefiro assim
Um poema calado

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Tempo

Doce sabor do vento...
Melindroso passatempo
Enquanto tento te desenhar
Te dar nome
Numerar
Você zomba de mim
Escorre pelos cantos

Eu tremo.
Tremo por sentir o seu encanto
Nos luminosos raios solares
Na branca lua que se esvai e enche
Vai por favor
Brincar com outro

Não gosto do teu remanso
Do apressado correndo louco
Da morte escondida na tua carne

Quero sentir o vento
Ao doce sabor
O raios de sol
Invadirem com furor
E os meus olhos, curar

Não me manipule... Tempo.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Aceite: Você é Diferente.


Acho que não tem algo que agride mais a beleza do universo que a padronização.

Fui como muitos, antes e depois de mim, educado para ser parecido com um modelo apresentado por jornais, cinema, tevê, livros e etc... Apesar desses modelos me apresentarem o que encontraria no mundo "civilizado"; foi espelhando essas informações na minha própria natureza que entendi o revés que é seguir um padrão.

Seguir um padrão é como seguir um mito. Não uma realidade. O que é real? Você se sentir é real. Sentir alguém próximo é real.

O mito deve ser somente referência, e não sua realidade.

Foi saindo dessa padronização de comportamento que comecei a perseguir meus reais objetivos.

Foi percebendo que A DIFERENÇA minha com esses padrões que percebi a beleza do universo.

Aceitar ser diferente. É o primeiro passo para se conhecer de verdade.

Somos diferentes dos nossos ídolos, existentes no mundo real ou no fictício.

Isso é BELO.